Entrevista – dicas sobre métodos para aprovação

13 de março de 2021 Off Por Projeto Questões Escritas e Orais

Pessoal, mexendo nos meus arquivos, encontrei uma entrevista que fiz para o Curso CEI(em junho de 2015), em que dou algunas dicas de estudo que considero valiosas para quem está na caminhada. Acredito que possa ajudar alguns de vocês.

– Hoje você está aprovado em quais concursos?

Atualmente, sou Técnico Judiciário do Tribunal de Justiça do Ceará, e estou aprovado, aguardando nomeação, nos concursos de Analista Judiciário no MPU(2013), Procurador do Estado do Rio Grande do Norte(3o lugar – 2015), Procurador do Estado da Bahia(12lugar – 2014), Procurador do Estado do Piauí(34lugar – 2014), Defensor Público da União(15lugar – 2015), Defensor Público do Estado do Ceará(5lugar – 2015). 

– Tendo em vista que você foi aprovado em concursos de carreiras que possuem editais bem diferentes uns dos outros, poderia nos contar como se preparou para cada fase (objetiva, subjetiva e oral)? Tinha uma rotina de horários fixos? Como era?

Fez cursos preparatórios? 

Primeiramente, acredito ser importante esclarecer que o fato de eu ter sido aprovado em vários concursos de editais distintos dá a impressão de que eu estava conciliando o estudo para todos ao mesmo tempo. Isso não é verdade. De acordo com o meu foco no momento, o concurso efetivamente que eu pretendia, eu me programava para estudar direcionado a ele. Gostava de fazer outras provas que não estavam no meu foco para ter um conceito que acredito ser essencial à aprovação em concursos públicos: a experiência de prova. É totalmente diferente, comparando a fazer a prova em casa, estar ali no momento, se esforçando, pensando, tentando lembrar de tudo e vivendo o desafio. Falo isso porque cada carreira tem sua especificidade, cada edital tem suas particularidades e cada organizadora cobra de um determinado modo. Estudar para a banca CESPE não é o mesmo que estudar para a banca FCC. É essencial que os alunos tenham isso em mente, pois em concursos públicos o estudo há de ser otimizado, direcionado, com o objetivo de aprender o maior número de conhecimentos no menor espaço de tempo.

Com relação à minha preparação para os diferentes tipos de prova, cada fase demanda uma peculiaridade distinta. Nas provas objetivas, durante a caminhada e principalmente quando esgotava os conteúdo, dava muito destaque às questões dos concursos passados. É impressionante o número de questões que se repetem. Adotava um método: em cada questão que eu aprendia um novo conceito(mesmo que eu acertasse, muitas vezes pelo fundamento errado), eu anotava em um caderno de questões objetivas. Fiz vários e vários. Na semana da prova, buscava estudá-los e conseguia acertar muitas questões por osmose. Consegui, então, em várias provas um resultado muito satisfatório, já que fui aprovado em vários outros concursos nas primeiras fases, como os de Juiz do TJ-CE(9lugar – 2014) , Juiz Federal do TRF-5(2lugar – 2015) e Promotor de Justiça do MP-SC(9lugar – 2014) e Procurador do Estado do Paraná(2lugar – 2015). Inclusive, isso rendeu um apelido por parte de um dos meus melhores amigos: passou a me chamar de“reis das objetivas“. Ao mesmo tempo, brincando, ele dizia que eu nunca passaria nas provas discursivas, porque minha letra é muito feia(rs).

Nas provas subjetivas, a visão já muda um pouco. Dava um maior destaque tanto à jurisprudência quanto à doutrina, pois eram matérias que cobravam com uma maior dificuldade. Anotava tudo o que aprendia nesses novos estudos e que seriam essenciais à minha aprovação. Não dava tanto destaque à letra da lei, uma vez que em quase todos os concursos que fiz era possível utilizá-la nas provas subjetivas. Era necessário, no entanto, saber bem onde cada artigo estava situado, já que não se teria muito tempo para sair procurando nas provas. Saber usar o índices remissivos do Vade Mecum é de grande valia. Gostava também de resolver várias provas passadas. Tentava resolver inicialmente com base apenas em meus conhecimentos, treinando a redação, e apenas depois iria buscar a resposta efetivamente. O concurseiro precisa ter claro isso em mente: o treino, a escrita, é absolutamente necessário para que ele logre êxito. Existem várias pessoas que tem muito conhecimento, mas tem uma dificuldade enorme para colocar isso no papel. O treino da escrita soluciona esse problema.

Nas provas orais, a situação é ainda mais distinta. .Entre os concurseiros, a prova oral é um grande mito. Com o tempo e com muito treino, vamos vendo que é possível passar por ela.Acredito que todas as pessoas que chegam nessa fase já tem um conhecimento jurídico enorme para passar, e então não será isso que irá eliminá-las. O conhecimento jurídico é, no máximo, apenas cerca de 40% da avaliação. O preparo psicológico, a postura, a capacidade de argumentação irão, indubitavelmente, ser os fatores preponderantes para a aprovação. O que acredito ser mais importante para esse fase é o treino com outros colegas que igualmente estão nessa situação ou com professores especializados em provas desse tipo. O extrajurídico conta demais para sua aprovação.A meu ver, comete um equívoco àquele aluno que nessa fase fica apenas estudando solitariamente, sem se exercitar, seja por medo ou vergonha. Todos os que estão envolvidos nessa fase sabem o quão difícil é ser submetido a um exame oral, e definitivamente não vão julgar alguém que esteja passando por essa dificuldade.É momento, então, de conhecer novos colegas em cursos ou montando grupo de estudos e fazer novos amigos é, em minha opinião, uma das melhores coisas da vida. 

Com relação a ter uma disciplina de horários fixos, sempre a mantinha. É extremamente necessário para que o concurseiro se discipline e se motive cada vez mais. Estipulava o que tinha que estudar dentro daquele espaço de tempo de acordo com as minhas necessidades e o concurso que estava almejando. Sobre como era, variou muito de acordo com o tempo, uma vez que estagiava até o ano passado e comecei a trabalhar no serviço público esse ano, mas no tempo que fiquei como concurseiro profissional(abril de 2014 a março de 2015), gostava de acordar cedo para começar a estudar 7h da manhã. Estudava até 11h00min, ia fazer atividade física(seja ioga, malhar, correr), almoçava e dava um descanso. Recomendo demais aos concurseiros a prática de atividade física, uma vez que inegavelmente a endorfina será um dos grandes aliados em sua aprovação. Voltava a estudar as 14h00 e estudava até as 17h00. Descansava de novo, e se conseguisse(quase nunca eu conseguia, na verdade), voltava as 18h, e ficava até as 20h00. Certas adaptações de acordo com as necessidades da vida tinham que ser realizadas, porém sempre buscava depois compensar as horas de estudo. No final de semana, também estudava, porém menos horas. É necessário que o aluno tenha em mente que mais adianta ele estudar toda semana com intervalos de descanso durante ela do que só consegue estudar uma semana e passar várias sem estudar. 

Com relação aos concursos preparatórios, de acordo com a necessidade de cada momento, realizava-os. Todos foram imprescindíveis para a minha aprovação. Gostava de dar destaque àqueles que tinham aulas no esquema de rodadas, pois os considerava mais objetivos e voltados para o concurso que estava me preparando. Nesse contexto, o curso do CEI foi imprescindível, já que me preparei por ele tanto para as provas de Advocacia Pública quanto para as provas da Defensoria Pública. Oportunidade incrível foi também a de realizar o curso CEI/CATHEDRA para a Prova Oral da DPE/CE, pois as perguntas foram muito similares ao que me foi cobrado no dia da prova. Consegui, então, obter uma excelente nota e ficar em 4lugar nessa prova. 

– Olhando para sua caminhada, faria alguma coisa diferente?

Não. Cometi vários equívocos durante toda essa caminhada, mas acredito que sem eles eu não teria tido a oportunidade de chegar onde cheguei. Uma coisa eu aprendi: ninguém chega a lugar nenhum sozinho. Os concurseiros têm que ter em mente que apenas competem com uma pessoa: eles mesmos. Ajudem, então, outros colegas que estão na sua mesma situação. Acredito ser importante mencionar que, para chegar aos nossos objetivos, temos que fazer muitas renúncias e dizer muitos nãos. Muitos desses nãos foram, inclusive, para a minha mãe,  que sempre me apoiou muito e sonhava com o dia da minha aprovação, fazendo o que fosse para que ela acontecesse. 

– Qual(is) dica(s) você gostaria de deixar para os leitores do seu depoimento?

A dica maior que eu gostaria de deixar para os leitores é a seguinte: não desistam. Vai ser duro, vai ser difícil, vai ter vontade de chorar, vai ter vontade de jogar tudo pro alto e não estudar mais, mas ao final a sua aprovação há de vir, e tudo isso vai valer a pena. Essa aprovação não virá no momento em que você quer, mas sim no momento em que ela estiver tiver que vir. Se precisarem de ajuda nesse momento difícil, não tenham vergonha de pedir. Sempre gostava de escutar os ensinamentos(não apenas de Direito Civil, mas também de vida) do Prof. Pablo Stolze, e nunca me esqueço de um vídeo em que ele fala: “Eu não conheço um único cidadão que tenha dito: eu me arrependo por ter parado para estudar. Eu lhes garanto que, não importa o momento que venha a sua vitória, essa frase jamais saíra de sua boca.”